Empresários do setor de alimentação fora do lar preveem impacto na operação e no bolso do consumidor A proposta em discussão no Congress...
Empresários do setor de alimentação fora do lar preveem
impacto na operação e no bolso do consumidor
A proposta em discussão no Congresso Nacional que prevê o
fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40
horas já mobiliza pequenos empreendedores do setor de alimentação fora do
lar.
Proprietários de estabelecimentos
com poucos funcionários apontam possível aumento de custos, necessidade de
novas contratações e impacto direto nos preços ao consumidor.
Contratações e aumento da folha
Com a possibilidade de mudanças na jornada, empresários já
projetam a necessidade de ampliar suas equipes. É o caso de Lucas Amstalden,
sócio da pizzaria Pizza67, em Campo Grande (MS), que atualmente conta com cinco
funcionários.
Para ele, a principal dificuldade não está na carga horária
semanal, mas na redução dos dias trabalhados. “A mudança de escala não é
viável, porque eu vou perder 1 dia. Por mais que eu esteja adequado a
quantidade de horas semanais, eu vou ter a redução na quantidade de dias. Como
a gente trabalha 30 dias por mês, eu preciso contratar pessoas para repor essa
folga extra, então querendo ou não, eu vou ter que colocar mais 2
funcionários”, afirma ele.
Com uma folha mensal de cerca de R$ 15 mil, o empresário
estima aumento significativo nos custos. “Meu custo vai sair de R$15 para, pelo
menos, R$25 mil, e para cobrir esse custo, eu vou ter que vender de R$35 a R$40
mil a mais por mês”, revela.
Reajuste nos preços
O aumento das despesas operacionais deve refletir no valor
cobrado pelos produtos. Segundo Lucas, será difícil absorver os custos sem
repasse ao consumidor. “Num primeiro momento a gente precisa ter o repasse, não
tem jeito, mesmo porque não tem como crescer o número de venda do dia pra
noite”, afirma. A projeção é de reajuste entre 15% e 20% nos preços para
equilibrar as contas.
Em Viçosa (MG), Edilson da Silva, sócio da Lanchonete do
Dênis, também avalia que o impacto será inevitável. “Se o Governo acha que a
pessoas tem que descansar mais, e eu também acho que elas têm, por que não mexe
só nas horas trabalhadas? A grande dificuldade do pequeno é a escala. Vai ter
aumento de preço. Se aumenta o meu custo, se dificulta a minha operação, eu vou
ter que repassar”, afirma ele.
O empresário ressalta ainda que o cenário econômico já
pressiona o consumo, com inflação elevada e consumidores mais endividados.
Concorrência e informalidade
Outro ponto de atenção é o risco de aumento da informalidade
no setor. Para Lucas, a concorrência com negócios que operam fora da
formalidade já é um desafio. “O nosso segmento tem uma concorrência muito
grande, uma concorrência muitas vezes desleal. Um exemplo, em volta da minha
pizzaria tem outras 4 pizzarias. Eu sou o único que tem CNPJ, sou o único que
registra funcionário, o único que tira Nota Fiscal e o único que paga imposto.
As outras 3, os caras trabalham em casa, estão com a família, então como eu vou
concorrer em termos de preço com esse cara?”, desabafa ele.
Na avaliação de Edilson, a falta de debate mais aprofundado
sobre a proposta pode ampliar esse cenário. “O maior problema é quando a
legislação vem engessada, ela acaba te jogando para trabalhar de forma
irregular”, afirma.
A possível mudança na escala de trabalho reacende discussões
sobre custos, competitividade e sustentabilidade dos pequenos negócios. Para
empresários do setor de alimentação fora do lar, o desafio será equilibrar a
adaptação às novas regras com a manutenção da operação e dos preços, em um
ambiente já marcado por margens reduzidas e forte concorrência.
.gif)





%20(1).gif)

COMENTAR